Archive for agosto \29\UTC 2007

O Amor

agosto 29, 2007

É caminho.
Destino dos bem-aventurados.
É busca incessante do ser.
Desvelo com outro, desapego com seus problemas.
Dedicação descomedida.
Doação definitiva.
É sair pelas ruas perdido em devaneios.
Sonhar acordado.
Admiração infinita nos olhares.
Querer bem.
Desejar o desejo do outro.
Sentir calafrios.
Dores indecifráveis vindas do coração.
Alegrias instantâneas.
Felicidade sublime.
Vontades ardentes.
Abraços apertados.
Beijos sufocantes.
Mordidas.
Impaciência na espera.
Razões irracionais.
Impulsos.
Furor no sexo.
Frenesi nos encontros.
Tremedeiras nas pernas.
Gosto pelo gosto do beijo.
Delírios no colchão.
Excitação no toque.
Coesão com o universo.
Afeição.
Atração irrefutável.
É tudo.
Somos parte dele.
Somos ele.
Somos vida.

Anúncios

Desenhos da natureza

agosto 28, 2007

Samambaias esmaecidas na parede
Torso da mulher amada nua
Fagulham na minha carne crua

Penugens nas sombras do corpo
Reflexos da paisagem da janela
O sol morrendo no horizonte

Pedras pelas calçadas desfavorecidas
Crianças alegres riscando o chão
Contorno das folhagens densas

Nuvens que vêm e vão
Aproximam-se e afastam-se
Num piscar e retornam a se unir

Luz da lua clareando a noite
Rugas nos rostos sofridos
Brilhos das folhas da palmeira

Fugas das luzes do Sol
Cascas e sulcos das árvores
Caminhos em troncos pela mata

Pedras que anunciam a vista
Folhagens e cactos no rastro
Paredão sólido se anuncia

Suores pelo corpo cansado
Lábios secos, com sede
Maçãs e bananas a alimentar

Sorrisos nos jovens rostos
Certezas dos sentimentos
E uma baía a contemplar

Fê – V

agosto 28, 2007

Se há pássaros lá fora a voar
Em meu peito, borbulha sangue
Sangue que faz pulsar
um coração que tange

No limiar do clarão do dia
Acordo nela a pensar
Como bom seria
estar com ela a beijar

O líder

agosto 28, 2007

Rascantes bebidas sobre um manto amarelo.
Dos filisteus, próximo a fidalguia.
Acenava a todos, sereno rosto.
A praça apinhada de gente.
A repetir-lhe o gesto.
Nobre pensar e poliglota.
Murmúrios de paz. Esparsos instantes.
Foi-se o líder.

Fê – IV

agosto 26, 2007

Fazendo o jardim,
Fui pego de surpresa,
Fera a estraçalhar braços e peito
Faiscantes olhos.
Fugi, tentei, voltei.
Feixe de forças espirituais.
Faceira criatura, a passear
Facetas mil, ora feroz, ora suave
Filou o corpo e o coração
Fascinado pela pele, penugem perfeita.
Fazer o quê?
Fina flor de encantos mil

Comprometimento

agosto 17, 2007

Comprometimento. O que significa exatamente isso?
É estar atento aos seus afazeres. Doar-se, buscar soluções. Vislumbrar o que está por vir. Empenhar-se nas tarefas. Usar de afinco para que tudo saia o melhor possível. Comprometer-se. Pensar, pensar, pensar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Ver além. Se inserir no projeto. Sentir-se envolvido. Dentro do ambiente. Em alguns momentos, “sair” para ter uma visão externa. Enxergar com outros olhos o que se está fazendo. Ajustar. Acompanhar. Estar atento a todos os pormenores. Ir a fundo, ver os detalhes, as entranhas do processo. Mergulhar fundo. Sentir o trabalho como parte de seu corpo, de sua alma. Unir-se, ser um só. Poder estar no meio da confusão, de uma tempestade e mesmo assim ter consciência e serenidade para tomar as melhores decisões. Quando se está verdadeiramente comprometido, a segurança aflora. Os atos já estão definidos só é necessário que alguém os tome para si. Gerenciar o trabalho e a vida.

Rimas de ocasião

agosto 17, 2007

Acertou em cheio com essa poesia de Álvares de Azevedo*!
Já não tenho mais medo!
Realmente estou amando e muito.
Sei que na vida é esse o intuito.
Se sou poeta não sei.
Sei que tentei.
Mas, o gosto por poesia e pelas pessoas está em mim.
Em especial por uma, com bochechas em vivo carmim.

* A poesia de Álvares de Azevedo em questão:

“…Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida.
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
– Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”

Na curva

agosto 12, 2007

Grandes fachadas, liberadas de ar, em mármores lascados com manchas de cinza.
Onde assoviam os ventos e curvam as pequenas palmeiras.
Suscitam o esplendor do caminhar da moça.
No seu vestido soerguido num ventilar desavisado.
Ela o segura, busca o cabelo no rosto os põe para trás mostrando o pescoço longo, fino e sensual.
Até ali andava despreocupada.
Parou para avistar a sacada da construção antiga.
A casa branca tem detalhes de curvas e desenhos.
As admira, suaves olhares de carinho e nostalgia.
Lembra agora da tarde em que pararam na janela do Centro e ficavam a admirar o prédio em tons de rosa.
E também a escada suspensa.
Rua escura, local de desejos.
Na curva da vida finalmente encontrou a reta do amor.

Natureza e cores

agosto 11, 2007

The End of the Storm (sold) - Maurice Ernest Lerouillé
A gaivota paira no céu por segundos.
Pára e olha.
Abaixo o chão se descortina.
Percebe-o pela alameda e desliza.
Sombras das árvores brincam de desenhos na nava de terra batida.
Breve romântico.
Tenras gramíneas esverdeiam a planície.
Toque especial à paisagem.
É a passarela.
O azul marinho do horizonte vai se esmaecendo no contato sublime com o céu.
Riscos de nuvens cortam a abóbada celeste.
Montanhas ao longe delineiam o alcance das vistas.
Olhos verdes os percebem.
Eis a musa inspiradora.
E nos raios de Sol se mostram mais claros.
O quase musgo ganha tons amarelados.
Uma gata, felina.
Forte, apaixonada, de intensa alegria.

Beleza

agosto 11, 2007

A beleza existe. Ela pode estar escondida num traço, num gesto ou na personalidade. Sim, ela depende de quem a admira. Mas, só possível percebê-la se ela estiver ali ao seu alcance. Num simples olhar. Vem muito mais de dentro, do que se está sentindo, de como é a pessoa, do que ela é, lá no seu fundo, no seu íntimo. Pode ser traduzida no brilho dos olhos, no rosto descontraído, feliz, mesmo que se esteja em instante difícil ou até mesmo preocupado. Pessoas lindas são fáceis de identificar, puras de espírito, não são egoístas e nos surpreendem com atos de extremo carinho e doação ao próximo. Aquelas das revistas podem ser belas ou não, a beleza é mais que uma plástica perfeita é espiritual. Aflora e se demonstra a todos. Às vezes inexplicável, mas totalmente sentida. Envolve o maior dos sentidos, o da percepção. Por instantes conheci uma dessas pessoas, poucos minutos, mas o suficiente. Foi facilmente perceptível o que aquela bonita garota, já uma mulher, passou em atos, sorrisos tímidos e uma enorme sensibilidade. Parabéns Fê, pela linda filha que tens.