Archive for the ‘Crônica’ Category

O que é uma crônica?

junho 22, 2007

Tramway - Jean Pougny
Faz muito tempo que tropeço nessa pergunta no momento de classificar um texto. Normalmente fico confuso e tendo a ter dúvidas se o que acabei de escrever é um conto ou uma crônica. Aliás, acho que essa baralhada é mais comum do que se imagina. Navegando pela Internet, notei algumas crônicas com cara de conto e vice-versa.
Depois de me afundar em livros, enciclopédias e links na Web me atrevo a dar uma definição sucinta do que vem a ser uma crônica:

Reflexão a respeito de fatos cotidianos, no qual se incluem doses de sarcasmo e inventividade na percepção dos acontecimentos.

Ou seja, se não se encaixar nisso há uma grande chance de ser um conto.

Outras idéias a respeito:
– Compilação de fatos históricos refletindo, com argúcia e oportunismo, a vida social, a política, os costumes, o cotidiano etc. do seu tempo em livros, jornais e folhetins.

– Artigo de jornal que, em vez de relatar ou comentar acontecimentos do dia, oferece reflexões sobre literatura, teatro, política, acidentes, crimes e processos, e sobre os pequenos fatos da vida cotidiana, enfim, sobre todos os assuntos.

– Coluna de periódicos, assinada, com notícias, comentários, algumas vezes críticos e polêmicos, em torno de atividades culturais (literatura, teatro, cinema etc.), de política, economia, divulgação científica, desportos etc., atualmente tb. abrangendo um noticiário social e mundano

– Relato curto, em primeira pessoa, que narra uma experiência comum, cotidiana e dela tenta extrair alguma conclusão mais ou menos explícita, quase sempre de caráter lírico

– Noticiário a respeito de fatos atuais

– Matérias predominantes da crítica de costumes, a crítica política e social, onde o cronista, em algumas ocasiões, assume o lado das classes menos favorecidas.

– Texto literário breve, em geral narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos, na maior parte, extraídos do cotidiano imediato

– Seção de um jornal em que são comentados os fatos, as notícias do dia: crônica política, teatral.

– Gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana.

Fontes:
– HOUAISS, Koogan. Enciclopédia Eletrônica Koogan Houaiss
– BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro: Campus
– CUNHA, L. Nas páginas do tempo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 14.
– HOUAISS, Koogan. Dicionário Koogan Houaiss. Editora Objetiva
– Jornal (in)formação e ação
Cecília Pavani (Org) – Editora Papirus
http://www.correioescola.com.br/2003/06/04/materia_ces_64549.shtm
– Café Impresso
http://www.cafeimpresso.com.br/Cronicas/2005/050404.htm
-Sá, Jorge de. A Crônica – Editora Ática – 94 págs – 1997
http://www.webwritersbrasil.com.br/detalhe.asp?numero=193
http://www.webwritersbrasil.com.br/arte_croni.asp
– Regina Célia
http://regina.celia.nom.br/lit.1.3histcronica.1.htm

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Comunique-se

junho 21, 2007

Space & Space/Sketchbook and Pencil - Susumu Endo
No dia 21 de junho foi publicado, o texto: “Dois elevadores” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o no blog Nas Linhas

* necessita de cadastro no site

Proliferação

maio 24, 2007

Invasion - Daniel Douke
Estamos diante de uma praga. Ela se alastra sem alarde. Todo mundo vê, mas ninguém se mobiliza para acabar com essa perspectiva. Assunto de alta gravidade, que mudará para sempre nossa cultura, costumes, nossos cotidianos e tarefas do dia-a-dia.

Já se percebe a afetação, pessoas esquálidas, parecendo – e perecendo – vindas de campos de concentração. Seus cheiros se proliferam. Luzes ofuscantes. Estão dominando as ruas.

Incrível como ninguém se mexe. Decerto o dinheiro que rola por detrás desses empreendimentos sustenta o panorama. São várias. Grandes empresas estão envolvidas. O governo não se movimenta. A alimentação das pessoas escasseia.

O comércio se amedronta. Seus espaços são ocupados. Onde antes havia uma padaria, lá estão eles. Lojas são fechadas. Lugares são tomados.

É violento o movimento de conquista.

Em Brasília, certa vez vi que uma rua já tomada. Nada foi feito e ainda hoje continua como dantes. Mesmo a imprensa jogando seus focos para centros como Rio de Janeiro e São Paulo, onde também incidem, não se dá conta do movimento. A invasão é real. Esta aí.

Mas, o que parece uma ação única não é. Tem o consentimento da população que abastece os invasores. Seria então causa dos próprios cidadãos que se rendem a eles.
Razão vista por causa de seus hábitos? A cultura está contaminada. Não há relaxamento dos conspiradores.

Estão por toda parte. Abra sua janela e veja você mesmo. Quantas farmácias ou drogarias consegue avistar? É o tipo de estabelecimento comercial que mais se prolifera. Qualquer dia desses vamos acordar e dar de cara só com farmácias. Será o fim dos tempos!

A atividade só faz crescer retroagir nunca, retroceder jamais. Ou alguém já presenciou um fechamento de uma drogaria? São iguais a filhotes de pombo, ninguém nunca avistou um.

Os domínios poderão ir até além do que se imagina, o poderio poderá ser absoluto.
Já imagino uma entrevista para um emprego:
– Quantos remédios o senhor toma por dia?
– Quatro
– O senhor não acha muito pouco?
– É?
– Não sabe que o recomendado são doze?
– Desculpe, não sabia.
– Solange, mande entrar o próximo.
Um aperto de mãos e um adeus, aquele candidato está eliminado.

Jornalistas têm problemas com números?

maio 23, 2007

Numbers - Robert Indiana
Deparado com uma notícia estarrecedora: “A cada hora três espécies de plantas ou animais desaparecem para sempre do planeta. Por dia, 150 espécies são extintas”. O senso crítico disparou o alarme.

Seria muito chato? Voltou atrás. Releu. Não fazia sentido. Quantas horas existem num dia? 50? Conta rápida, 24 vezes três, resultado: 72.

Ontem: “Faltam 42 centímetros para o Jadel bater o recorde mundial (RM) do salto triplo”. Peraí, o triplista saltou 17,90m, o RM é de 18,29m. Lambuja?

“Outra praga nas redações da imprensa especializada é a maldição do milhão por bilhão. É o seguinte: por incrível que pareça, há um impulso suicida entre os profissionais da área de simplesmente acrescentar três zeros, ou então subtrair três zeros, seja qual for a história” (BASILE*, p.114).

* BASILE, Sidnei. Elementos do Jornalismo Econômico. 2002.

Fenômeno Seje

maio 16, 2007

Trial & error  - Gustav Kluge
Já faz algum tempo que se nota a presença incomoda do “verbete” “seje” em nosso cotidiano. Não que a língua portuguesa seja fácil, mas é quase deliberado o uso do “vocábulo”. Vez por outra ele é percebido em entrevistas, em novelas e pasmem, até mesmo vindo da boca de quem não devia – universitários, bacharéis, autoridades e políticos, só para citar alguns.

Tudo bem que é um verbo irregular e por isso tem um quê a mais de dificuldade, mas será que lá no coleginho da tia Tetéia não foi pelo menos uma vez conjugado? Ou lembrado mais recentemente?

O que impressiona é a quase forçada pronúncia do “seje”. Acredito que na maioria das vezes até o próprio interlocutor sinta certa estranheza ao proferi-lo. Mas, mesmo assim a utilização é reiterada. Exagero? Pesquisa rápida: Google: “seje”: 3,8 milhões de ocorrências. Ah, dentre elas temos as que corrigem o erro crasso. Novo exame: seje -seja -erro: 1,36 milhões! Se reparar bem, vai até notar alguns anúncios usando o “termo”! Nova busca: “seje” no Orkut, resultado, mais de 1000, entre elas 204 comunidades – claro que algumas são justamente – ainda bem – para criticar o uso errôneo da “palavra”.

Nem o YouTube escapa. Alguns vídeos achados: “Se for amor que seje verdadeiro” – vai ver o amor não é tão verdadeiro assim; “Viva e seje feliz” – será feliz e ignorante por toda a vida; “Seje vc um Rocky” – esse nunca será um Rocky; e até um assassinato de um verso de Vinicius de Moraes: “E que seje eterno enquanto dure” – com certeza alguma coisa vai durar pouco.

Uma explicação plausível para tanta incidência do equívoco é que no presente do subjuntivo o “e” final seja usado com bastante freqüência – desculpe-me pelo eco. Mas, essa desinência só ocorre – em regra – nos verbos da primeira conjugação, final “ar”. Ou seja, somente para verbos como estar, falar etc. Já os da segunda e terceira formam – não sei se há exceções – em “a” assim como o nosso seja.

O fato é que de tanto ouvir alguns menos letrados ou desatentos acabam se viciando no “seje” e o dão como certo. Um verdadeiro fenômeno. Fica uma dúvida será que existe erro verbal mais comum que esse?

Todos cometemos inúmeros erros, mas que esse “seje” único.

O Cavalo Soluçante

maio 4, 2007

Ilustração de Gustave Dore – da Obra Don Quixote - Cervantes
Polícia Federal prende mais de 20 em operação Furacão – melhor do que Hurricane – cavalo relincha. Juiz libera 4 magistrados, cavalo soluça. Champinha, foge, mas é recapturado horas depois, um rincho se houve. Justiça determina que o “menor” de 20 anos volte à Fundação Casa – antiga FEBEM – mais soluços. Congresso americano aprova lei que determina diminuição da emissão de gases poluentes, há um nitrir nesse momento. Bush veta, singultos são pronunciados. Estatuto das Armas é aprovado, homicídios retrocedem, ao fundo se escuta um trinir, STF reduz penas, o cavalo cai duro num espasmo, é seu último suspiro.