Archive for the ‘Crônicas’ Category

O homem que falava com pássaros

agosto 1, 2007

Era um homem de poucas palavras, vivia a maior parte do tempo isolado, apesar do bom caráter.

O periquito verdejante lhe trazia as boas notícias, a rolinha faceira as inconfidências e as fofocas, o gavião, imperativo, indica os caminhos. A canarinha branca, o amor e a ternura.

E por fim, o corvo, sinal de mau agoro, foi expulso.

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O que é uma crônica?

junho 22, 2007

Tramway - Jean Pougny
Faz muito tempo que tropeço nessa pergunta no momento de classificar um texto. Normalmente fico confuso e tendo a ter dúvidas se o que acabei de escrever é um conto ou uma crônica. Aliás, acho que essa baralhada é mais comum do que se imagina. Navegando pela Internet, notei algumas crônicas com cara de conto e vice-versa.
Depois de me afundar em livros, enciclopédias e links na Web me atrevo a dar uma definição sucinta do que vem a ser uma crônica:

Reflexão a respeito de fatos cotidianos, no qual se incluem doses de sarcasmo e inventividade na percepção dos acontecimentos.

Ou seja, se não se encaixar nisso há uma grande chance de ser um conto.

Outras idéias a respeito:
– Compilação de fatos históricos refletindo, com argúcia e oportunismo, a vida social, a política, os costumes, o cotidiano etc. do seu tempo em livros, jornais e folhetins.

– Artigo de jornal que, em vez de relatar ou comentar acontecimentos do dia, oferece reflexões sobre literatura, teatro, política, acidentes, crimes e processos, e sobre os pequenos fatos da vida cotidiana, enfim, sobre todos os assuntos.

– Coluna de periódicos, assinada, com notícias, comentários, algumas vezes críticos e polêmicos, em torno de atividades culturais (literatura, teatro, cinema etc.), de política, economia, divulgação científica, desportos etc., atualmente tb. abrangendo um noticiário social e mundano

– Relato curto, em primeira pessoa, que narra uma experiência comum, cotidiana e dela tenta extrair alguma conclusão mais ou menos explícita, quase sempre de caráter lírico

– Noticiário a respeito de fatos atuais

– Matérias predominantes da crítica de costumes, a crítica política e social, onde o cronista, em algumas ocasiões, assume o lado das classes menos favorecidas.

– Texto literário breve, em geral narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos, na maior parte, extraídos do cotidiano imediato

– Seção de um jornal em que são comentados os fatos, as notícias do dia: crônica política, teatral.

– Gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana.

Fontes:
– HOUAISS, Koogan. Enciclopédia Eletrônica Koogan Houaiss
– BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro: Campus
– CUNHA, L. Nas páginas do tempo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 14.
– HOUAISS, Koogan. Dicionário Koogan Houaiss. Editora Objetiva
– Jornal (in)formação e ação
Cecília Pavani (Org) – Editora Papirus
http://www.correioescola.com.br/2003/06/04/materia_ces_64549.shtm
– Café Impresso
http://www.cafeimpresso.com.br/Cronicas/2005/050404.htm
-Sá, Jorge de. A Crônica – Editora Ática – 94 págs – 1997
http://www.webwritersbrasil.com.br/detalhe.asp?numero=193
http://www.webwritersbrasil.com.br/arte_croni.asp
– Regina Célia
http://regina.celia.nom.br/lit.1.3histcronica.1.htm

Mau humor não é para qualquer um

junho 11, 2007

Mask of Horror - Jean Carriès
Esposa: Está faltando leite, amor.
Marido: Porra, caralho… Vai comprar…
Esposa: O dinheiro…
Marido: Que merda! Tá pensando que meu dinheiro….
Esposa: É para o bolo do seu aniversário querido.
Marido: Ummmm…. (em tom desconcertado)
Marido: (murmura mais alguma coisa indecifrável)

Dois elevadores

maio 24, 2007

Waiting Room - Philip Hershberger
Estava a esperar um elevador, quando um sujeito foi e apertou o botão de chamada do outro elevador.

Falou meia dúzia de abobrinhas sobre a situação econômica.
Queixava-se da desorganização do país, da falta de educação do brasileiro e eu só assentia com a cabeça.

Aliás, realmente tudo que ele falava fazia o maior sentido. A má distribuição de renda. A educação já nas últimas, motivos de pilhéria. A saúde deixando a desejar – a morte de todos, os políticos etc.

Começou a entrar então em outras searas, discorreu sobre a falta de solidariedade, da educação, dos exemplos que os pais deveriam dar aos filhos. Nesse momento comecei a me incomodar.

Fiquei pensando cá comigo, tem gente que exige tanto dos outros e nada vê em si. Macaco olha teu rabo.

Afinal se estávamos naquela “conversa de monólogo” é porque decerto um egoísta, não tinha pensado nos outros e havia feito o mesmo que o reclamão ao meu lado. Relembro: ele chamou o segundo elevador, mesmo sabendo que eu aguardava um e, portanto, acionara-o. Aliás, informação fundamental, o sujeito em questão era um magnata que morava na cobertura.

Finalmente, depois de algum tempo olhando para o mostrador dos elevadores – ambos agora na cobertura – e já bastante chateado com a minha indolência ou aparente indiferença – realmente eu estava sem paciência mesmo e dizia quando muito monossilábicos “é” ou acudia com a cabeça – o ricaço disparou:

– E o senhor não vai dizer nada? Não acha que estou certo?
Insistiu tanto que,… Sorri e respondi:
– Por que o senhor chama dois elevadores ao mesmo tempo?
Um momento, uma pausa de reflexão se fez. O elevador chegou, saiu uma linda moça de lá, um anjo, era sua filha.

Duplo sentido

maio 23, 2007

Starry Night Double Vision - Ron English
The Starry Night - Vincent van Gogh
Era uma janela, uma pequenina janela. Uma janelinha. Ela tudo via. Os que passavam na rua apressados, os namorados no portão, o jardim florido e os carros rápidos e os preguiçosos.

As outras janelas. Acenava para elas. A árvorelonge lhe trazia os passarinhos, os bem-te-vis, os pintassilgos e as rolinhas. Verde, frondosa e cheia de vida.

Olhava para os outros. Os admirava, criava nomes para cada um que passasse: Maria, Manuel, Ricardo, Clementina, Luiza, Carolina, Joaquim, Marcelo.

Não parava de pensar, refletia no chão e no rosto de muitos o Sol da manhã.

Gostava de ficar decorando as roupas. Percebia cada detalhe. “Olha aquele, usou essa blusa azul e vermelha com estrelinhas na semana passada”. Será que a lavou? Pelo visto não, está toda amarrotada. A loirinha Margareth sempre bem arrumada. Ela é muito vaidosa. Gosto dessa menina, muito sorridente.

Quem são aqueles com capacete? Nunca os vi. E aquilo que apontam para cá? Devem ser de fora. São estranhos. Vestem-se com um negócio dependurado no pescoço. Jorge saiu de casa, foi lá falar com eles. Estão assinando um papel…. Depois de dias uma sombra cresceu.

Nota do blogueiro: Nem tudo que parece é. Nem tudo em dobro é melhor. Nossos olhos estão diante da destruição do mundo.

Gertrudes

abril 7, 2007

Eu entrei no banheiro e lá estava ela. Num canto, encostada na parede. Confesso que me assustei. O armário estava entreaberto, então fiquei pensando na possibilidade de a criatura ter mexido em algo. Elucubrei sobre a pasta de dente, a escova de dente – que nojo, o pincel para barba – sou das antigas e alérgico às espumas – e também sobre o pente. Mas, aparentemente nada havia sido mexido ou tocado.

Fiquei olhando-a, o mesmo ela fazia, ressabiada, será que ele vai fazer algo?

Ficamos nos fitando por alguns instantes. Aquele ser permanecia praticamente imóvel.

É claro que já havia visto uma, mas cheguei mais perto e constatei – ou recordei: em cada uma das patas existiam igualmente cinco “dedos”.

Gertrudes era cinza-castanho – quase branca, pequena e muito desconfiada. É claro que não me sentia à vontade com ela ali, mas também não achei direito tentar qualquer coisa contra ela, até porque seria uma batalha pegá-la e colocá-la para fora. Matar nem pensar. No fim das contas, fiz o que tinha que fazer no banheiro e saí. Mais tarde, a procurei, acho que senti sua falta. Abaixo a foto dela, quem a vir, por favor, me avise. Beijos.

Novela das Oito Personagens (Um xiste)

dezembro 13, 2006

É das oito personagens mesmo, não se engane o título deveria ser esse, porque para mim só existem oito papéis diferentes. A libertina, o certinho, o mauzinho, o bêbado, a pinóquio, a balançadinha, o pitboy e a anoréxica.
A piranha é logicamente encarnada pela Daniele Winits, mas ô meretriz cara sô, R$ 5.000,00 pela primeira noite! Alto-padrão. É, pensando bem, a Danielle Winits merece.
Os certinhos são fáceis de achar, tem um monte na trama. Um exemplo é a playmobil na pele da Marjorie Estiano. Playmobil, porque parece um mesmo, com aquele cabelinho liso, colado e curto. Quem é da época dos anos 80, vai lembrar do cabelinho de franjinha que nunca saía do lugar. Se não sabe o que é, vai procurar na Internet pô. Além disso, ela também faz o estilo assexuado. Nos brinquedinhos era igual, sem diferenciação entre bonequinhos “machos e fêmeas”, a não ser por algum acessório, pois eles eram todos retos. No caso da Marjorie, ela não é reta, mas se comporta como tal. Sexo, hã, o que é isto?
Outra que me diverte é a pinóquio, mas não é por causa das mentiras que ela leva este codinome e sim por causa das vestimentas e do corte de cabelo. Já reparou como a namoradinha do Jorge está sempre em casa com aquelas bermudas e camisas que lembram o personagem, o filho do Geppetto, da obra de Collodi. Coitada da Christine Fernandes.
Os mauzinhos são figurinhas fáceis, o engraçado é que eles são sempre maus, e nem um pouco bons. O Maneco até já se tocou e tem dado um tom mais humano para alguns, pois tava muito estereotipado. Assim como também tem feito com os certinhos, que no começo estavam à beira de serem canonizados, agora têm escorregado um pouco no quiabo.
O bêbado era e foi um caso à parte, embora às vezes caricato, ele sempre um dos mais normais de todos, com muitas fraquezas e erros. Mas o pior é que só tem problemas, será que o cara não tem nenhum predicado? Será que ele sabe lavar pratos? Pelo visto nem isto, pelo menos até agora.
Outro que se aproxima mais do real é o pitboy, Felipe, o filhinho de papai que é grosso, malandro, só toma fora e só faz M. É o mau caráter da novela, mas o cara não faz nada certo, além, é claro de ter traçado a Nina. Se bem que da última vez mostrou um certo desembaraço com o laptop do Jorge. Deve ser por causa do sexo virtual!
Outra um pouco mais parecida com gente terrena, com defeitos, mas com virtudes e até, em número maior é a Helena, a “balançadinha”. Para ela estou esperando o dia ela fará uma cena em que não balance a cabeça. O pior é que nem loira ela é, senão podia se justificar que era para pegar no tranco.
Bem vou me despedindo com a anoréxica. A que quer dar lição de como se comer para a adolescente gordinha. Diz para a menina que ela tem que se alimentar direito, etcetera e tal. Mas, reparem só no shape dela. Dizem que a televisão engorda cinco quilos, pois é, estou pensando de como o câmera faz para pegar a Deborah Evelyn de lado. Acho que deve parecer mais com um fantasma que a Nanda. Só que esta ainda última de vez em quando aparece, a outra byside eu duvido muito. Maneco se liga! Não podia ter escolhido uma atriz mais “cheinha” para que o papel fosse coerente? Como pode uma anoréxica falar para a filha sobre crises de bulimia e vômitos provocados? Ou será que me enganei e teremos revelações ao final, mostrando que a filha seguiu uma tendência genética…hahahaha.