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Uma visão geral sobre o livro: “A origem do capitalismo” – Ellen Wood

junho 16, 2007

Learn About Money - Otis Kaye
Ellen Meiksins Wood. A origem do capitalismo. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001, tradução: Vera Ribeiro, 143 p.

Os modos contraditórios de se enxergar a origem do capitalismo

Introdução

Em sua primeira obra – um ensaio – lançada no Brasil – 2001 – a historiadora, crítica e editora Ellen Wood traz questionamentos sobre a suposta naturalidade do surgimento do capitalismo. Com a autoridade de recebido o prêmio Outstanding Academic Award da revista americana Choice, “A origem do capitalismo” coloca em debate e desconstrói mitos acerca do tema.

Desenvolvimento

Ao incluir referências de idéias passadas sobre a natureza histórica do sistema capitalista faz um retorno aos paradigmas aceitos. Em meio às discussões entre grandes pensadores de outrora, a autora inclui percepções, contradições, erros e acertos. Desde o início, percebe-se que Ellen entende que menções aos conceitos antigos se fazem necessários para entender as concepções e alternativas futuras ao meio econômico.
A partir de idéias dos intelectuais, a escritora se debruça sobre os conceitos anteriores à década de 1970 e compara sentenças solidificadas ao longo de décadas trazendo consigo as incoerências percebidas no presente. Diante do panorama apresentado pelo atual capitalismo a historiadora faz conjecturas e um acerto de contas com afirmações marxistas ou não.
Dotada de grande senso crítico, uma de suas acepções profissionais, Wood ora se aproveita de experiências antigas e confirmadas para incluir seus ideais, ora derruba julgamentos errôneos e os contrapõe com assertivas advindas de comparações com outros países, situações ou fatos. No desenrolar do texto, também se perfaz do que foi exposto e complementa com observações pertinentes.
De início, a escritora faz um apanhado das condições transistóricas a que foi exposto o tema. E inclui no decorrer dessa introdução referências às mais variadas visões em relação ao capitalismo. Mais adiante ainda assinala as novas tendências historiográficas a respeito do assunto.
Já envolta na temática, a historiadora, faz inclusões das versões já discutidas por grandes estudiosos do assunto de maneira a embasar melhor cada visão, introduzindo breves relatos e referências de onde vieram advieram tais idéias.
A autora expõe no livro que, ao longo dos anos, as várias hipóteses e pensamentos acerca do capitalismo foram aos poucos se aperfeiçoando. Faz figurar também as principais vertentes, e quais os pensadores que discutiram a temática. Vai construindo as idéias de modo frouxo, de modo que o leitor possa tirar as próprias conclusões. Não dá, portanto conceitos prontos ou assertivas de início. Apresenta a ideologia dos debatedores e inclui referências ainda que poucas sobre a origem de cada pensamento, conclusivo ou não. Aliás, neste começo, em raros momentos há algo definitivo acerca das questões mostradas, e quando há, nem sempre é tão acachapante ou relevante.
As propostas incluídas pelos principais estudiosos do assunto, são sim, na maioria das vezes contestadas por outros. Nesses, Ellen coloca em xeque cada uma dos caminhos auferidos por eles. Ao traduzir e confrontar idéias deles, a escritora deixa que se façam alguns breves pensamentos sobre o assunto, contudo, ela mesma não dá uma posição a favor ou contra cada autor debatido. Ficando desta forma, ao mesmo tempo sem conclusão e em aberto para novas conjeturas que devem a priori ser deixadas para quem está a ler.
Ao final de que cada debate, a sra. Wood, introduz uma breve perspectiva conforme a abordagem de cada autor estudado. Mais a frente, a autora ousa a incluir algumas definições mais fechadas sobre a temática, como por exemplo, o fato de a luta de classes ser central no processo de transição ao capitalismo. Algumas outras merecem destaque, como a idéia de que o capitalismo não é uma conseqüência natural e inevitável da natureza humana, mas sim um produto tardio e localizado de condições históricas muito específicas e, portanto um produto de suas próprias leis internas de movimento.
Ao final do livro, a autora, faz um apanhado geral do temas discutidos e nesses sim, faz assertivas definitivas sobre o capitalismo, suas causas, conseqüências e os seus contextos históricos. Faz também um breve relato dos efeitos da expansão dos imperativos capitalistas. É mister que ressalte o trabalho minucioso realizado pela historiadora, prova disto são as grandes quantidades de citações das mais variadas obras, todos com uma relação íntima ao texto e auferidos na conclusão da obra.

Conclusão

O livro é ingrediente indispensável a quem se aventura pelas discussões acerca do panorama em que se encontram os sistemas econômicos dominantes. Cabe, no entanto, fazer um alerta de que assim como a temática, os textos exigem conhecimentos prévios ou no mínimo uma pesquisa em paralelo. Com as referências em forma de notas ao fim da obra, tem-se um alicerce capaz de trazer à tona as respostas a quaisquer questionamentos possíveis.

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O Cavalo Soluçante

maio 4, 2007

Ilustração de Gustave Dore – da Obra Don Quixote - Cervantes
Polícia Federal prende mais de 20 em operação Furacão – melhor do que Hurricane – cavalo relincha. Juiz libera 4 magistrados, cavalo soluça. Champinha, foge, mas é recapturado horas depois, um rincho se houve. Justiça determina que o “menor” de 20 anos volte à Fundação Casa – antiga FEBEM – mais soluços. Congresso americano aprova lei que determina diminuição da emissão de gases poluentes, há um nitrir nesse momento. Bush veta, singultos são pronunciados. Estatuto das Armas é aprovado, homicídios retrocedem, ao fundo se escuta um trinir, STF reduz penas, o cavalo cai duro num espasmo, é seu último suspiro.