Posts Tagged ‘Encontro’

O segundo suspiro

janeiro 3, 2008

Criado, vivido, morto, fatigado

Na solidão, rondando a noite

Sem esperanças, ali acabado

Longe, a custas de açoite

Chegou o segundo Sol

Apagou as angústias, temor

Encobriu a tristeza bemol

De tons e sem sabor

Sem peles a tocar

E a quem suspirar

Perdido no quarto

Morto, da vida farto

De brisas a romaria

Felicidades nas fazendas

Primeiro de noite, rendas

A se estender ao dia

Finda a procura, Fê

Agraciado em colégio

Em galerias do CCBB

Eis o maior sortilégio

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Tarde em Copacabana

julho 18, 2007

Sunset on Beach - Byron Browne
Sol se pondo, avistaram a praia
Mãos dadas tal primeiro encontro
Linda, estampado de cambraia
Exir muitos anos num recontro

Decote, transformava a mulher
Nos olhos castanhos e sardas
De tempos, no peito se acolher
Andavam por jardas e jardas

Todos passavam, iam e vinham
E anoiteceu, mas abraçados
Não esmoreciam, mais queriam

Minutos, e mais reviçados
Arrastos, uniões comprimidas
Peles permaneciam cingidas

Los Amantes

abril 27, 2007

Los amantes, 1923 - Pablo Picasso
Abraçados. As mãos passeiam tentando descobrir seu corpo. Deslizam pelas costas. Alojam-se na cintura onde tomam impulso e puxam contra si. Indóceis vão e voltam. Param no pescoço para um carinho.

Os beijos fumegam. Os braços fazem força e tracionam com mais violência. Descabelam-se num desvairo de amor e tesão. Os sexos se projetam buscando mais prazeres, se esfregam. As coxas estão embaralhadas. Os apertos são lúbricos. Os desejos, os murmúrios, agora surgem gemidos. Ainda são tímidos, estão na rua. Os gestos são contidos pelo pudor, mas a sensação e o apetite traduzem vontades.

Aos poucos as mãos entrelaçadas se separam. É hora de ir embora. Até o próximo encontro. Até qualquer dia.

Olhos Verdes

março 6, 2007

Sensual - Royo
Foi em meio a um mundo de fantasia que pela primeira aqueles olhos fitaram-no. Passaram-se alguns dias de intensa conquista e galanteios. Agora sentado a sua frente olhava para seus olhos verdes. Suas íris irradiavam uma alegria, uma felicidade, mesmo que pueril e fugaz. Logo abaixo seu sorriso confirmava a impressão. Fartos eram seus seios que nos “apertos” pareciam querer saltar de dentro da pequena camisetinha vermelha. Ela combinava com o interior de seu peito que palpitava.
O que fazia aquela menina-mulher se enganando numa mesa de bar? Seu sorriso era desejoso de algo mais. Mostrava por vezes um olhar de menina e outro sacana, de mulher, provocativo. Cada gesto pintava um novo cenário, instigava um ao outro, um convite ao prazer.
Suas coxas roliças apertadas numa calça cáqui queriam formar um coração junto a cintura. Elas não mostravam nada, mas estavam prontas. Seus poros eriçados a cada aproximação mais selvagem sempre se soerguiam nos seguidos beijos e mordiscadas em seus lábios, orelhas e língua.
Em algumas roçadas de corpos seus olhos se fechavam e entreabriam como se transportando a um mundo de prazeres. Os dedos viajavam pelos corpos sentindo as peles. O desejo estava à mostra e persistia por horas, a libido em alta, mas a consciência e a cultura jogavam proibindo passos mais ousados. Fases mais atrevidas eram decapitadas.
Um turbilhão de sentimentos e impulsos elétricos é no que havia se transformado aquele encontro dos corpos. Os olhares se buscavam, o que diziam aqueles pequeninos olhos verdes? Neles se viam, lá estavam os próprios reflexos. Por vezes se divertiam nesse jogo de se descobrir e um sorriso estava embutido a cada contemplar. Como pode também um olhar sorrir?
O que corpo e o coração buscam? Cada momento é único. Do que vale a vida sem emoções e trocas?
Cada respiro, suspiro e um beijo inflamado e se aqueciam e… suavam. Sensações múltiplas se concentram numa única cena. Braços se entrelaçam, corpos se tocam e buscam afagos, carinhos e apertos. Tórax se unem, bocas se enroscam, se tocam, se mordem, se exploram. Todo o corpo está voltado para aquele momento. Até os olhos se fecham, é capaz de jurar-se que até se ouve menos ao redor.
São duas criaturas num transe. O corpo se prepara para algo mais, hormônios em ebulição, tudo se movimenta dentro do organismo, medos são perdidos para que num instante a vida tome conta. Um enlace entre o mundo e aquele minuto. Para onde vão aquelas sensações? É custoso acreditar que aquelas vibrações se espalham pelo espaço e se perdem. Condensarão em forma de chuva? Contaminarão outros seres com o desejo e o amor? Se irradiarão por entre as pessoas?
Os cheiros transitavam entre os dois, as bocas suspiravam, as peles se sentiam, os toques pronunciavam os desejos, as mãos firmes puxavam os corpos em colisões suaves. Roçavam-se desejosos de estarem nus. As palavras pronunciadas, sussurradas completavam a cena.
Os momentos extasiados se fixaram naqueles olhos verdes. E permaneceram para sempre em cada memória.