Posts Tagged ‘Erotismo’

Estarei

dezembro 20, 2007

Quando a manhã chegar
Estarei com a chaleira no fogo
A esquentar a água do nosso café

E depois o teu cor-po a de-cor-ar
Revirar e puxar

Rolar as curvas pelo lençol branco
E o triângulo a focalizar
Objeto do desejo
No carinho do desenho

Quando caminho pelos ares de Copacabana
Lá estou
Pensativo

Nos arredores não tem lugar que
Se visto não é lembrado
Cada momento!
Da felicidade nos instantes.
Intensos

Nas flores, o olhar do verde
A estar no rosto
No corpo, na camiseta
E na calcinha

Buscar sempre
Os teus beijos e você a suspirar
Nos amplexos apertados e no “um”
Querida, amada.

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Soneto de Agosto

agosto 2, 2007

Tu me levaste eu fui… Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil…
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

Vinicius de Moraes

Comunique-se

julho 22, 2007

Book - Richard Artschwager
Anteontem, 20 de junho foi publicado, o texto: “Olhos Verdes” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o aqui no próprio blog

É o sétimo texto do autor publicado no site.

* necessita de cadastro no site

Los Amantes

abril 27, 2007

Los amantes, 1923 - Pablo Picasso
Abraçados. As mãos passeiam tentando descobrir seu corpo. Deslizam pelas costas. Alojam-se na cintura onde tomam impulso e puxam contra si. Indóceis vão e voltam. Param no pescoço para um carinho.

Os beijos fumegam. Os braços fazem força e tracionam com mais violência. Descabelam-se num desvairo de amor e tesão. Os sexos se projetam buscando mais prazeres, se esfregam. As coxas estão embaralhadas. Os apertos são lúbricos. Os desejos, os murmúrios, agora surgem gemidos. Ainda são tímidos, estão na rua. Os gestos são contidos pelo pudor, mas a sensação e o apetite traduzem vontades.

Aos poucos as mãos entrelaçadas se separam. É hora de ir embora. Até o próximo encontro. Até qualquer dia.

Olhos Verdes

março 6, 2007

Sensual - Royo
Foi em meio a um mundo de fantasia que pela primeira aqueles olhos fitaram-no. Passaram-se alguns dias de intensa conquista e galanteios. Agora sentado a sua frente olhava para seus olhos verdes. Suas íris irradiavam uma alegria, uma felicidade, mesmo que pueril e fugaz. Logo abaixo seu sorriso confirmava a impressão. Fartos eram seus seios que nos “apertos” pareciam querer saltar de dentro da pequena camisetinha vermelha. Ela combinava com o interior de seu peito que palpitava.
O que fazia aquela menina-mulher se enganando numa mesa de bar? Seu sorriso era desejoso de algo mais. Mostrava por vezes um olhar de menina e outro sacana, de mulher, provocativo. Cada gesto pintava um novo cenário, instigava um ao outro, um convite ao prazer.
Suas coxas roliças apertadas numa calça cáqui queriam formar um coração junto a cintura. Elas não mostravam nada, mas estavam prontas. Seus poros eriçados a cada aproximação mais selvagem sempre se soerguiam nos seguidos beijos e mordiscadas em seus lábios, orelhas e língua.
Em algumas roçadas de corpos seus olhos se fechavam e entreabriam como se transportando a um mundo de prazeres. Os dedos viajavam pelos corpos sentindo as peles. O desejo estava à mostra e persistia por horas, a libido em alta, mas a consciência e a cultura jogavam proibindo passos mais ousados. Fases mais atrevidas eram decapitadas.
Um turbilhão de sentimentos e impulsos elétricos é no que havia se transformado aquele encontro dos corpos. Os olhares se buscavam, o que diziam aqueles pequeninos olhos verdes? Neles se viam, lá estavam os próprios reflexos. Por vezes se divertiam nesse jogo de se descobrir e um sorriso estava embutido a cada contemplar. Como pode também um olhar sorrir?
O que corpo e o coração buscam? Cada momento é único. Do que vale a vida sem emoções e trocas?
Cada respiro, suspiro e um beijo inflamado e se aqueciam e… suavam. Sensações múltiplas se concentram numa única cena. Braços se entrelaçam, corpos se tocam e buscam afagos, carinhos e apertos. Tórax se unem, bocas se enroscam, se tocam, se mordem, se exploram. Todo o corpo está voltado para aquele momento. Até os olhos se fecham, é capaz de jurar-se que até se ouve menos ao redor.
São duas criaturas num transe. O corpo se prepara para algo mais, hormônios em ebulição, tudo se movimenta dentro do organismo, medos são perdidos para que num instante a vida tome conta. Um enlace entre o mundo e aquele minuto. Para onde vão aquelas sensações? É custoso acreditar que aquelas vibrações se espalham pelo espaço e se perdem. Condensarão em forma de chuva? Contaminarão outros seres com o desejo e o amor? Se irradiarão por entre as pessoas?
Os cheiros transitavam entre os dois, as bocas suspiravam, as peles se sentiam, os toques pronunciavam os desejos, as mãos firmes puxavam os corpos em colisões suaves. Roçavam-se desejosos de estarem nus. As palavras pronunciadas, sussurradas completavam a cena.
Os momentos extasiados se fixaram naqueles olhos verdes. E permaneceram para sempre em cada memória.