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Resenha – A Revolução Alemã – Mitos e Versões, Daniel Aarão Reis Filho

maio 4, 2008

Capítulos

Introdução a uma derrota
Os assaltos ao céu
Uma revolução traída?
Capitalismo e classe operária na Alemanha
Adeus à classe operária?

Introdução

O estudo sobre as revoluções sempre mereceram destaque. Em especial as lutas socialistas, que têm ao longo de muitos anos recebido atenção mais que redobrada. A revolução alemã segue um pouco desse rito, ou seria mito? A busca pelas explicações aos acontecimentos ocorridos na Alemanha no período de 1913 até 1923 é abrangido nesse pequeno ensaio, que mostra os meandros dos fatos, as tentativas das mudanças e os resultados de cada movimento bem sucedido ou não. Nesta obra, Daniel Aarão mostra o que vem por trás das conflagrações, com destaque aos operários que tanto mostraram sua força – ou busca por ela – nas diversas situações em que se encontraram. Dentro do âmbito e da época escolhida pelo autor, há uma clara separação entre menores períodos: antes da Primeira Grande Guerra, durante ela e logo após. Perfazendo assim uma análise mais completa e inteligível dos desencadeamentos históricos ocorridos na Alemanha no início do século XX.
Aarão vem em sua introdução mostrando de maneira clara quais as vertentes estudadas e quais seus possíveis desenlaces. Primeiro lembra que as versões podem ser diferentes conforme quem a conta, no caso, separa a dos vencedores da dos vencidos, esses normalmente sem voz ativa nos livros. Nessa mostra o historiador dá uma perfeita sintonia com a realidade dos atos, causas e conseqüências de cada passo abordado. Ao longo do livreto, Daniel Aarão elucubra sobre as possibilidades e principalmente enumera e explica cada uma das ações e o porquê de cada desfecho nas inúmeras tentativas de modificação do panorama alemão por parte do operariado, em modo precípuo.
Em cada um dos capítulos, os escritos nos mostram as vertentes e as faculdades das experiências vividas com as revoltas populares e operárias seguidas entre 1918 e 1923. No decorrer dos demais ensejos, o envolvimento político toma pauta e o entendimento das inserções do proletariado é estudado. Ao final, há uma reavaliação de tudo o que foi feito e é proposta uma reflexão acerca de todo o movimento como um todo. Ao que se sucedeu é tirada uma chamada de Rosa Luxemburgo, no mínimo profética: “esta história (de derrotas) leva irresistivelmente, passo a passo, à vitória final”, tal como Che Guevara levantou: cada derrota como um trampolim de vitórias.
O certo é que o cerne de toda a questão encontra-se muito mais abrangido e determinado ao final do livro com as diversas explicações dos fatos, bem como as razões e os focos incumbidos pelos revolucionários, com seus erros e até alguns acertos, não de curto prazo, mas que se sucederam após as décadas envolvidas.

Os assaltos ao Céu

Aqui, foi feita apenas uma pequena introdução para se entender, se visualizar todo o campo, os alicerces das diversas alterações dentro da república.
A compreensão do livro não ficaria prejudicada se este tomo fosse levado apenas como apêndice, já que faz somente um apanhado geral sem se importar com qualquer minúcia como será visto mais adiante. É uma situada diante do cenário internacional, é o máximo que se abrange nestas poucas páginas. Há uma apresentação de dados e algumas correlações com as conseqüências, mas sem entrar no âmago das questões. Esse capítulo é superficial se comparado aos demais e pode considerado apenas com uma introdução ou um levantamento inicial de informações, algo como uma fase de aquecimento.

Uma revolução traída?

Uma das vertentes e explicações para a sucessão de “desastres” nos levantes alemães é a hipótese de traição ou traições. Mas, os fatos podem apontar para outras possibilidades, como talvez uma singularidade nos procedimentos dos partidos socialistas. O SPD, de base social operária, por exemplo, é emblemático. Junto ao KPD, o partido majoritário em termos de proletários trouxe algumas visões diferentes das comumente pensadas. O SPD como postura sofreu desligamento da oposição durante o ano de 1918. No entanto, o assunto é mais complexo e trás à tona diversas idéias em linha com algumas iniciativas, tais como o apoio incondicional ao exército durante a guerra e a composição burguesa em novembro de 1918. Caminho esse que teve o intuito de uma institucionalização da república social burguesa com representatividade na Assembléia Constituinte. Destarte, a saber e questionar: será que os soldados e operários desejavam uma revolução socialista, ou o partido se posicionou corretamente?
Aliás, as maiores questões levantadas no decorrer do livro são os diversos posicionamentos e a forma como são dadas as direções e coordenações dos movimentos que de fato não se apresentou como concatenada em amplitude nacional. Se limitando muito mais em movimentos localizados e isolados sem um aparato e força mais concretas em termos completos e sem envolvimentos de todo o país.
Dos movimentos mais significativos relatados nesse capítulo, estão a aliança deliberada do SPD contra comunistas, radicais de esquerda e anarquistas. No entanto, mesmo com a aparente traição à classe operária através dessas ações, vale lembrar que em nenhum momento elas assim se declararam. É mister também a razão é por se tratarem de caminhos seguidos, e de maneira isolada, de caráter vanguardista e principalmente de conteúdo radical. Como ainda por cima, mesmo diante de todas as visões propostas o que se viu de fato foi que o SPD manteve-se com base operária por todo o tempo e mais: sempre esteve presente nas movimentações de cunho e expressão social. O que mais fundamenta o posicionamento do SPD é a percepção de que o maior alicerce é a seguinte prerrogativa: “O discurso da traição não encontra apoio substancial. Na verdade, os operários alemães eram os mais organizados, instruídos e formados politicamente em todo o mundo”.

Capitalismo e classe operária na Alemanha

A introdução do capitalismo na Alemanha é de fundamental importância para a busca pelos reconhecimentos das relações causa-efeito em todo o cenário envolvido. A evolução do capitalismo toma forma na Alemanha desde 1882, tendo seus maiores e incontestes dados a suportar a afirmação de um super crescimento já em 1913. Dados inúmeros são mostrados ao longo de trechos do livro, mas o que mais reafirma é que nesse período o país assumiria a liderança na segunda revolução industrial.
A proliferação industrial se deu por toda essa terra germânica de maneira quase ou bem próxima do que poderíamos chamar de uniforme. Visto que mesmo cidades de menor importância e de tamanho menor, a julgar pela população de cada uma, tiveram também igual ou similar desenvolvimento industrial. A ressaltar como alguma das exceções, temos a agricultura, mesmo diminuída, e os camponeses como núcleos de resistência conservadora ao avanço do capitalismo. Durante a Primeira Guerra Mundial, as necessidades aceleraram o crescimento dos vários setores industriais, em particular os que proveram os alicerces à campanha de guerra. Ele deu passos enormes em direção ao crescimento com a ajuda das coordenações de produção. Cabe, no entanto dizer que apesar da grande força em torno da indústria, os operários não se fizeram valer de melhorias, com manifestações de greves em 1915 e 1916. E assim se sucederam muitas outras cada vez com maior amplitude, mas isso não representou aumento de poder das classes proletariadas.
A partir da revolução de 1918 e da Constituição de Weimar, agosto de 1919, o cenário político tornou-se substancial com o desaparecimento dos regimes monárquicos, sufrágio universal para parlamentares e presidência da república se firmando. Efeitos colaterais foram sentidos pela Grande Guerra, entre eles o governo assumindo o que restou diante dos ideais megalomaníacos exercidos pelos donos da guerra. Nesse período o que restou da classe operária em termos políticos se faz declarar: ela fora incapaz de trazer à tona, alternativas ao poder fundado no capitalismo e se desenhou como um fracasso como classe social.

Adeus à classe operária? (Conclusão)

A dependência fundamentada nos meios de produção fez com que a classe operária se mostrasse incapaz de tornar a idéia socialista forte o suficiente para influenciar ou participar efetivamente no governo. Segundo Pannekoek: “Os operários haviam restabelecido com as próprias mãos a ordem social dominante e o teriam feito porque totalmente submetidos ao modo de pensar burguês”.
Um das diretrizes para explicar as derrotas da classe operária e o natural desalento com a situação é a falta de capacidade demonstrada pela classe ao deixar de aproveitar as brechas abertas no sistema dominante.
Destarte, tanto os operários quanto os soldados ganharam o reconhecimento de suas reivindicações em 1919 por ocasião da Constituição de Weimar: sufrágio universal, liberdade de organização, jornada de trabalho de oito horas, convenções coletivas, a própria instituição da república, comitês de fábrica e o princípio de socialização em alguns setores, tais como o das minas de carvão.
Desfeitos os mitos sobre a classe operária e a revolução alemã, conclui-se que diante de os movimentos realizados ao longo dos anos de 1913 até 1923 e períodos próximos, que apesar de parecer uma sucessão de fracassos, seu tom na verdade é o da busca pelos acertos nos rumos da Alemanha. Não que o que tenha ocorrido após estes anos tenha sido o mais correto, mas o de poder mais definitivo ou menos tênue nos destinos do país.

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Divulgação

julho 26, 2007

Escritor angolano lança obra na Biblioteca Municipal de Jundiaí

Foto de Dorival Pinheiro
O prefeito Ary Fonsen ganhou uma obra especialmente autografada pelos autores

Contar a história luso-afro-brasileira a partir de relatos e documentários, compartilhando de reflexões para alcançar a sociedade em todos os seus níveis. Com esta proposta, foi lançado na noite de quinta-feira (12), na Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, o livro “Negro: Realidade, Proeminência e Reconsiderações“, do casal de escritores angolanos José A . Bastos Júnior e Silvia Bastos.

Estiveram presentes ao encontro, o prefeito Ary Fossen, a secretária municipal de Cultura, Penha Maria Camunhas Martins, a diretora da Biblioteca, Neizy Martins de Oliveira Cardoso, o presidente do Grupo Zama (Associação do Movimento Afro-Brasileiro), Jorge Reis Tarcísio e apreciadores da Literatura.

O livro é o primeiro de uma série de dez volumes; os textos fazem uma referência ao século XV, quando ocorreu o processo de ocidentalização mundial e o início da escravidão dos negros, liderada pelos portugueses. Para Jorge Reis, a obra é um importante subsídio para os educadores. “Existe hoje a lei n° 10.639 que torna obrigatória a inclusão da história da África e afro-brasileira no calendário escolar. Dessa forma, lançar uma obra como esta se faz necessária.”

O prefeito Ary Fossen recebeu dos autores uma obra especialmente autografada e destacou o caráter de religiosidade abordado. “Falta ao ser humano esta religiosidade que conduz à união, solidariedade para que todos convivam em harmonia e colham bons frutos, preparando um futuro promissor para todos. Basta encarar os desafios.”

Silvia Helena Ferraz Santos

Copiado do site da Prefeitura de Jundiaí

Notícia do Lançamento no Jornal Local

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Acanalhados

abril 29, 2007

Sleeping Nude - Gustave Courbet
Miranda nunca a tivera, nem nunca a vira, assim tão violenta no prazer. Estranhou-a. Afigurou-se-lhe estar nos braços de uma amante apaixonada: descobriu nela o capitoso encanto com que nos embebedam as cortesãs amestradas na ciência do gozo venéreo. Descobriu-lhe no cheiro da pele e no cheiro dos cabelos perfumes que nunca lhe sentira; notou-lhe outro hálito, outro som nos gemidos e nos suspiros. E gozou-a, gozou-a loucamente, com delírio, com verdadeira satisfação de animal no cio.

E ela também, ela também gozou, estimulada por aquela circunstância picante do ressentimento que os desunia; gozou a desonestidade daquele ato que a ambos acanalhava aos olhos um do outro; estorceu-se toda, rangendo os dentes, grunhindo, debaixo daquele seu inimigo odiado, achando-o também agora, como homem, melhor que nunca, sufocando-o nos seus braços nus, metendo-lhe pela boca a língua úmida e em brasa. Depois, um arranco de corpo inteiro, com um soluço gutural e estrangulado, arquejante e convulsa, estatelou-se num abandono de pernas e braços abertos, a cabeça para o lado, os olhos moribundos e chorosos, toda ela agonizante, como se a tivessem crucificado na cama.

A partir dessa noite, da qual só pela manhã o Miranda se retirou do quarto da mulher, estabeleceu-se entre eles o hábito de uma felicidade sexual, tão completa como ainda não a tinham desfrutado, posto que no íntimo de cada um persistisse contra o outro a mesma repugnância moral em nada enfraquecida.

Durante dez anos viveram muito bem casados; agora, porém, tanto tempo depois da primeira infidelidade conjugal, e agora que o negociante já não era acometido tão freqüentemente por aquelas crises que o arrojavam fora de horas ao dormitório de Dona Estela; agora, eis que a leviana parecia disposta a reincidir na culpa, dando corda aos caixeiros do marido, na ocasião em que estes subiam para almoçar ou jantar.

Trecho de “O Cortiço” – Obra de Aluísio de Azevedo – Publicado em 1890.

Big Brother is watching

abril 27, 2007


Não é mais um programa de reality-show, a própria realidade é que é o show, ou viva o verbo “to show”.

Deu no jornal.

Na Alemanha, depois de 5 anos de instaladas em várias cidades – câmeras que flagram todos os movimentos de quem anda nas ruas – está sendo aberta uma conferência em Estrasburgo que discute suas conseqüências.

Em alguns casos, os aparelhinhos tratam de um controle policial que visa alertar e prevenir infrações – por mínimas que sejam – das pessoas que por ventura cometam algum delito – qualquer que seja.

Guardas monitoram os movimentos dos cidadãos e se avistam alguma irregularidade avisam por meio de alto-falantes acoplados às câmeras de que viram o que feito e pedem que desfaçam – caso seja possível – ou que automaticamente estão sendo autuados por atitude irregular / ilegal. O projeto – sistema igual também na Inglaterra – começou por causa dos atentados de 11 de setembro para prevenir contra atos terroristas, mas sua expansão e controle agora assustam.

É, George Orwell estava certo quando lançou o livro – que deu origem a um filme homônimo – 1984. O livro narra a história de uma sociedade totalmente dominada pelos controles externos – através de equipamentos de vídeo – onde o Big Boss tudo vê e tudo sabe. Aliás, é baseado nele que existe o programa da holandesa Endemol, os BBBs, brasileiros ou não.

Será que terei que me preocupar com isso no futuro? Como ficará meu chopp depois do trabalho? E a olhada mais lasciva àquela mulher que passa?

P.S.: Confesso que catei pela Internet, a matéria assistida na TV (Globo) que me levou a escrever este texto, mas não achei. Se alguma alma caridosa, passar por aqui e achar a reportagem / vídeo, por favor, deixe o link. Obrigado.