Posts Tagged ‘Poesia’

Amo

abril 1, 2008

http://sempreontemehoje.blogspot.com/

Amo, porque gosto assim de ti
Sofro, pois desta forma amo
Quero-te nua, és meu colibri
Em teu ventre, venho, esparramo

Passear no jardim, melhor tocar
Meu corpo se junta ao teu fresco
Olho-te ao longe, vejo-te lá
Amor tão assim! Gigantesco!

Filho será presente divino
Vem sempre em nosso pensamento
Aqui, ali, versos setembrinos

Peço todos dias firmamento
Traga-me criança, minha, dela
O anjo vai sob minha tutela

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Tributo a Vinicius de Moraes

março 20, 2008
Ternura

Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

O segundo suspiro

janeiro 3, 2008

Criado, vivido, morto, fatigado

Na solidão, rondando a noite

Sem esperanças, ali acabado

Longe, a custas de açoite

Chegou o segundo Sol

Apagou as angústias, temor

Encobriu a tristeza bemol

De tons e sem sabor

Sem peles a tocar

E a quem suspirar

Perdido no quarto

Morto, da vida farto

De brisas a romaria

Felicidades nas fazendas

Primeiro de noite, rendas

A se estender ao dia

Finda a procura, Fê

Agraciado em colégio

Em galerias do CCBB

Eis o maior sortilégio

Diga-me meu bem

dezembro 21, 2007

Você sempre esteve nos meus sonhos

Logo que a toquei senti que era você

Venha meu amor me conte sua história

Venha e me tome como seu amor

Qual é a sua história?

Estou aqui sozinho te esperando

Fale-me de amor

Que eu quero você

E quando eu estiver triste

Venha me consolar

Eu preciso tanto de você

Esteja sempre ao meu lado

E vamos caminhar

Em direção ao infinito

Onde os amores se encontram

Lá seremos felizes para sempre

Desejo-te todos os segundos

Aquelas luzes verdes me conquistaram

Desde a nossa inocência que te imagino

Em meus braços

E seus cabelos escorrendo pelo meu peito

Onde você quer ir agora?

É tão difícil de encontrar um amor igual ao nosso

Eu sou o culpado por todo esse amor

Ele explodiu no meu coração

E agora num mundo novo

Com as gramas verdejantes

Vejo uma luz a nos procurar

Onde está aquele amor?

Ele está aprisionado em nossos corações

E precisa ser solto

Não é justo tão belo sentimento ficar preso

Ele precisa ser livre

Feliz e alegre

Para alegrar todos em volta e

Contagiar de amor a cidade

Deixar todos com sorrisos nos rostos

Venha meu bem me conte sua história

E me ame

Intensamente

Para sempre

Soneto de Agosto

agosto 2, 2007

Tu me levaste eu fui… Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil…
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

Vinicius de Moraes

Tarde em Copacabana

julho 18, 2007

Sunset on Beach - Byron Browne
Sol se pondo, avistaram a praia
Mãos dadas tal primeiro encontro
Linda, estampado de cambraia
Exir muitos anos num recontro

Decote, transformava a mulher
Nos olhos castanhos e sardas
De tempos, no peito se acolher
Andavam por jardas e jardas

Todos passavam, iam e vinham
E anoiteceu, mas abraçados
Não esmoreciam, mais queriam

Minutos, e mais reviçados
Arrastos, uniões comprimidas
Peles permaneciam cingidas

O que é uma crônica?

junho 22, 2007

Tramway - Jean Pougny
Faz muito tempo que tropeço nessa pergunta no momento de classificar um texto. Normalmente fico confuso e tendo a ter dúvidas se o que acabei de escrever é um conto ou uma crônica. Aliás, acho que essa baralhada é mais comum do que se imagina. Navegando pela Internet, notei algumas crônicas com cara de conto e vice-versa.
Depois de me afundar em livros, enciclopédias e links na Web me atrevo a dar uma definição sucinta do que vem a ser uma crônica:

Reflexão a respeito de fatos cotidianos, no qual se incluem doses de sarcasmo e inventividade na percepção dos acontecimentos.

Ou seja, se não se encaixar nisso há uma grande chance de ser um conto.

Outras idéias a respeito:
– Compilação de fatos históricos refletindo, com argúcia e oportunismo, a vida social, a política, os costumes, o cotidiano etc. do seu tempo em livros, jornais e folhetins.

– Artigo de jornal que, em vez de relatar ou comentar acontecimentos do dia, oferece reflexões sobre literatura, teatro, política, acidentes, crimes e processos, e sobre os pequenos fatos da vida cotidiana, enfim, sobre todos os assuntos.

– Coluna de periódicos, assinada, com notícias, comentários, algumas vezes críticos e polêmicos, em torno de atividades culturais (literatura, teatro, cinema etc.), de política, economia, divulgação científica, desportos etc., atualmente tb. abrangendo um noticiário social e mundano

– Relato curto, em primeira pessoa, que narra uma experiência comum, cotidiana e dela tenta extrair alguma conclusão mais ou menos explícita, quase sempre de caráter lírico

– Noticiário a respeito de fatos atuais

– Matérias predominantes da crítica de costumes, a crítica política e social, onde o cronista, em algumas ocasiões, assume o lado das classes menos favorecidas.

– Texto literário breve, em geral narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos, na maior parte, extraídos do cotidiano imediato

– Seção de um jornal em que são comentados os fatos, as notícias do dia: crônica política, teatral.

– Gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana.

Fontes:
– HOUAISS, Koogan. Enciclopédia Eletrônica Koogan Houaiss
– BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro: Campus
– CUNHA, L. Nas páginas do tempo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 14.
– HOUAISS, Koogan. Dicionário Koogan Houaiss. Editora Objetiva
– Jornal (in)formação e ação
Cecília Pavani (Org) – Editora Papirus
http://www.correioescola.com.br/2003/06/04/materia_ces_64549.shtm
– Café Impresso
http://www.cafeimpresso.com.br/Cronicas/2005/050404.htm
-Sá, Jorge de. A Crônica – Editora Ática – 94 págs – 1997
http://www.webwritersbrasil.com.br/detalhe.asp?numero=193
http://www.webwritersbrasil.com.br/arte_croni.asp
– Regina Célia
http://regina.celia.nom.br/lit.1.3histcronica.1.htm

O Cisne

junho 17, 2007

A Brig under Sail in fair Weather (En Brig under selj i godt vejr) - Christoffer Wilhelm Eckersberg - 1844-1845
Singraste no oceano da vida
Qual marinheiro a conduzir tua nau.
Escolheste entre marés ondulantes
Na incerteza da tua juventude
A sugestão d’um sopro de brisa a cantarolar.
Mas, vendo-te na caminhada escolhida
Que tantos heróis escreveram na história,
Antevejo-te a surgir em ondas espumantes
Esguio, porte altivo, como um cisne
Em berço esplêndido, a se destacar.

Na carreira que hoje abraças com calor
Marcando, vez em quando, uma renúncia,
Mas, quantos “louros” colherás, certamente…
Tens o brilho e o valor
Que os grandes homens distingue
E que a Marinha polirá ainda mais.
Marcando n’alma, profundamente,
As lembranças felizes que guardarás, vida afora…
E a honra, que não olvidarás, jamais!

Lêda Rau

Cortando palavras

maio 6, 2007

Anton Olea - 1996
Amor é essencial
Envolva-a
Guie-me
Reúne-se alma e desejo, membro e vulva
Só alma?
Ela se expande
Um grito de orgasmo
Corpos entrelaçados
Fundidos
São dois em um
Integração no cosmo?
Chega-se aos astros?
Etérea, eterna?
No clitóris tudo se transforma
Onde se concentraram
A penetração rompe as nuvens
Varado de luz, o coito segue
Se espraia
Além da própria vida
Carne
Gozar
Gozando
Sons, arquejos, ais
Um espasmo
Morremos um no outro
Pausa nos sentidos
Estátuas vestidas de suor
Agradece-se
É o amor terrestre

Baseado na poesia: “Amor, pois que é palavra essencial” de “Carlos Drummond de Andrade”