Posts Tagged ‘TV Aberta’

O sensacionalismo e o consumismo na TV: espelho do telespectador

fevereiro 6, 2007

De uma maneira geral a TV aberta tem uma programação apelativa e voltada para o sensacionalismo e o consumismo. O imediatismo reina e as brigas por pontos de audiência distorcem o que a televisão deveria oferecer: entretenimento e boa informação. Especialistas, no entanto, apontam que é possível atingir todas as classes sociais indistintamente mantendo um bom nível de programação. Enquanto isso, as TVs por assinatura cobrem um pouco desse espaço deixado pelos programas direcionados somente ao grande público. Uma vez que entram mais em sintonia com um telespectador de perfil mais ativo – que busca informação – seja por causa de um interesse específico ou simplesmente “zapeando” com o controle remoto. Diz-se, às vezes, então, que as notícias devem interessar a alguém que não se interessa por nada.
Em meados da década de 90, o comportamento televisivo no Brasil foi alterado sensivelmente, principalmente no que concerne às classes A, B e C. Com a proliferação dos sistemas de transmissão a cabo, MMDS (os sistemas de distribuição multiponto) e DTH (por satélite) as predileções se diversificaram. Essas alternativas de programações passam destarte a se incluir num mercado até então exclusivo das emissoras convencionais. E, já em 2002, absorveram uma boa parte da população, cerca 3,5 milhões de maneira bastante rápida. Mostrando, desta forma, que apesar de boa parte das grandes massas ainda assistir alguns programas – de qualidade ruim – essa mesma fatia não gera obrigatoriamente um bom retorno publicitário. Ou seja, muitos anunciantes não estão dispostos a associar ou atingir determinados públicos – mesmo que grandes – porque isso pode não ser interessante comercialmente falando.
Apesar disso, em todo esse contexto estão inseridos alguns conceitos de comportamento sociológicos. Muito se aponta que a televisão tem o poder de acelerar a história e até modificá-la. Notório é o caso da luta de Martin Luther King pela igualdade social, no qual, ele mesmo apontou que se não fossem as teletransmissões de notícias, os negros não tinham obtido o direito a voto em 1965 nos Estados Unidos.
Da mesma maneira, o público também é visto como modificador das programações televisivas através de um processo de retroalimentação. O que se vê hoje é que devido a uma série de fatores como: a globalização, a busca por riqueza, o excessivo consumismo etc., a TV se mostra cada vez mais como um espelho da sociedade. Ou seja, se há uma permanente exibição de programas de baixa qualidade, isso se deve exclusivamente aos próprios telespectadores. É uma eleição feita pelo povo para o povo. Logo, de nada adianta criticar que é um absurdo tal programa estar no ar se existe no mínimo um comportamento de complacência com que existe e é profundamente praticado pelas concessionárias.
Liga-se a televisão e está lá o Ratinho, com suas histórias – um desperdício diante da qualidade de comunicador de massa que é. Em outro canal ou horário, vê-se um programa policial, onde um desvio de conduta é o foco e a notícia fica em segundo plano. Noutro, dá-se de cara com uma aberração ou imagens que denigrem o ser humano. Sem esquecer que naquele outro canal, o importante são as fofocas e o que aconteceu com as pseudopersonalidades, as quais, pouco têm a acrescentar de útil. O que pode interessar e ter alguma utilidade para a sociedade se fulaninho foi ou deixou de ir a uma festa ontem, ou com quem ele ficou? Aprenderemos algo para a nossa vida? O culto às falsas celebridades também é um dos cernes da superficialidade das programações das TVs.
Será que é disso que se precisa? Quantas pessoas discutem contigo sobre uma entrevista feita com determinado cientista, estudioso ou pesquisador a respeito das novas tendências sejam na tecnologia, na medicina ou nas artes? E sobre aquele documentário, alguém fala? Ao mesmo tempo, muito se percebe que uma grande maioria diz ver – mas são mentiras – este ou aquele canal ou programa que são tidos como inteligentes, cultos e úteis, mas porquê? Ora, porque muitos sabem o que é ou deveria ser visto, mas não assistem, e por quê?
De onde vem tudo isto? Reflexo de nossa cultura subdesenvolvida? Dificuldade de acesso? Certamente que não.
São os frutos de uma sociedade consumida pela pouca valorização da cultura, dos estudos e principalmente por pouca vontade política de mudança desses valores. Que se façam melhorias no processo educacional, quem sabe teremos, num futuro próximo, mais programas em que possamos nos orgulhar de assistir.

Publicada na Revista Ponto TV do Jornal do Brasil em 04 de fevereiro de 2007 – Domingo.

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Novela das Oito Personagens (Um xiste)

dezembro 13, 2006

É das oito personagens mesmo, não se engane o título deveria ser esse, porque para mim só existem oito papéis diferentes. A libertina, o certinho, o mauzinho, o bêbado, a pinóquio, a balançadinha, o pitboy e a anoréxica.
A piranha é logicamente encarnada pela Daniele Winits, mas ô meretriz cara sô, R$ 5.000,00 pela primeira noite! Alto-padrão. É, pensando bem, a Danielle Winits merece.
Os certinhos são fáceis de achar, tem um monte na trama. Um exemplo é a playmobil na pele da Marjorie Estiano. Playmobil, porque parece um mesmo, com aquele cabelinho liso, colado e curto. Quem é da época dos anos 80, vai lembrar do cabelinho de franjinha que nunca saía do lugar. Se não sabe o que é, vai procurar na Internet pô. Além disso, ela também faz o estilo assexuado. Nos brinquedinhos era igual, sem diferenciação entre bonequinhos “machos e fêmeas”, a não ser por algum acessório, pois eles eram todos retos. No caso da Marjorie, ela não é reta, mas se comporta como tal. Sexo, hã, o que é isto?
Outra que me diverte é a pinóquio, mas não é por causa das mentiras que ela leva este codinome e sim por causa das vestimentas e do corte de cabelo. Já reparou como a namoradinha do Jorge está sempre em casa com aquelas bermudas e camisas que lembram o personagem, o filho do Geppetto, da obra de Collodi. Coitada da Christine Fernandes.
Os mauzinhos são figurinhas fáceis, o engraçado é que eles são sempre maus, e nem um pouco bons. O Maneco até já se tocou e tem dado um tom mais humano para alguns, pois tava muito estereotipado. Assim como também tem feito com os certinhos, que no começo estavam à beira de serem canonizados, agora têm escorregado um pouco no quiabo.
O bêbado era e foi um caso à parte, embora às vezes caricato, ele sempre um dos mais normais de todos, com muitas fraquezas e erros. Mas o pior é que só tem problemas, será que o cara não tem nenhum predicado? Será que ele sabe lavar pratos? Pelo visto nem isto, pelo menos até agora.
Outro que se aproxima mais do real é o pitboy, Felipe, o filhinho de papai que é grosso, malandro, só toma fora e só faz M. É o mau caráter da novela, mas o cara não faz nada certo, além, é claro de ter traçado a Nina. Se bem que da última vez mostrou um certo desembaraço com o laptop do Jorge. Deve ser por causa do sexo virtual!
Outra um pouco mais parecida com gente terrena, com defeitos, mas com virtudes e até, em número maior é a Helena, a “balançadinha”. Para ela estou esperando o dia ela fará uma cena em que não balance a cabeça. O pior é que nem loira ela é, senão podia se justificar que era para pegar no tranco.
Bem vou me despedindo com a anoréxica. A que quer dar lição de como se comer para a adolescente gordinha. Diz para a menina que ela tem que se alimentar direito, etcetera e tal. Mas, reparem só no shape dela. Dizem que a televisão engorda cinco quilos, pois é, estou pensando de como o câmera faz para pegar a Deborah Evelyn de lado. Acho que deve parecer mais com um fantasma que a Nanda. Só que esta ainda última de vez em quando aparece, a outra byside eu duvido muito. Maneco se liga! Não podia ter escolhido uma atriz mais “cheinha” para que o papel fosse coerente? Como pode uma anoréxica falar para a filha sobre crises de bulimia e vômitos provocados? Ou será que me enganei e teremos revelações ao final, mostrando que a filha seguiu uma tendência genética…hahahaha.